hreflang: os erros que fazem o Google servir o país errado
O hreflang diz ao Google que URL servir a que idioma e país, mas só funciona se cada anotação tiver o return tag correspondente e se os códigos de idioma e região forem válidos. À escala, mantido à mão, apodrece depressa: é a origem do erro "no return tag" que enche o Search Console e faz o Google ignorar as anotações e servir a URL errada ao país errado. A solução é gerar e validar o hreflang de forma contínua, não escrevê-lo à mão.
Onde o hreflang parte
- 1Anotação sem return tag recíproco
- 2Códigos de idioma ou região inválidos
- 3hreflang mantido à mão à escala
- 4x-default em falta
hreflang é um sistema recíproco, não uma etiqueta.
O hreflang é a peça de SEO internacional que mais gente implementa mal sem dar por isso, porque quando falha não estoira - apenas serve a página errada ao país errado, em silêncio, e tu só percebes pela quebra de conversão num mercado. Trabalhei sites internacionais à escala, e a lição é sempre a mesma: o hreflang não é uma etiqueta que se cola, é um sistema recíproco que se mantém. Quando o tratas como etiqueta, apodrece.
O que o hreflang faz (e o que não faz)
O hreflang diz ao Google qual a versão de uma página para cada idioma e região - pt-PT, pt-BR, en-GB - para que sirva a certa ao utilizador certo. O que ele não faz: não é um sinal de ranking, não força indexação, e não resolve conteúdo duplicado sozinho. Serve para desambiguar versões que já competem entre si. Se o confundes com uma alavanca de ranking, estás a resolver o problema errado - a base continua a ser SEO técnico sólido.
O erro nº1: falta de return tag recíproco
É o erro que enche o Search Console e o que mais custa. O hreflang tem de ser recíproco: se a página A aponta para a B como versão de outro idioma, a B tem de apontar de volta para a A. Sem esse return tag, o Google considera a anotação inválida e ignora-a - e, ignorada a anotação, volta a decidir sozinho que URL mostra a cada país, muitas vezes a errada. O aviso "no return tag" no Search Console não é cosmético: é o Google a dizer-te que está a desperdiçar o teu hreflang.
Códigos de idioma e região inválidos
O segundo erro mais comum é usar códigos que não existem. O idioma segue a norma ISO 639-1 e a região a ISO 3166-1 Alpha 2, e a troca é fatal: en-UK não existe (é en-GB), pt-PT é Portugal e pt-BR é o Brasil. Um código inválido não é meio-válido: é ignorado por inteiro. E cuidado com a tentação de segmentar por idioma quando querias segmentar por país - idioma não é país, e um site en partilhado por vários mercados precisa de sinais de região além do idioma.
Manter hreflang à mão à escala é garantia de erro
Num site de dez páginas, escreves o hreflang à mão. Num de dez mil, com produtos a entrar e a sair, o hreflang escrito à mão apodrece na primeira semana: uma página nova sem anotação, uma removida que continua referenciada, uma reciprocidade que se perde numa migração. Por isso, à escala, o hreflang gera-se a partir de uma fonte única de verdade e valida-se em cada build, com crawl. Foi assim que o mantive em contexto internacional, e é a única forma que aguenta.
x-default e o país que fica de fora
O x-default é a rede de segurança: diz ao Google que URL servir a quem não corresponde a nenhuma das versões declaradas. Sem ele, o utilizador de um país que não cobres cai numa versão ao acaso. É barato de pôr e evita servir português a quem pesquisa em alemão. Poucos o usam, e nota-se.
Como validar (o que eu faço)
Validar hreflang não é abrir uma página e ver a tag; é confirmar a reciprocidade a toda a escala. Uso o Screaming Frog para cruzar todas as anotações e apanhar as que não têm return tag, códigos inválidos e páginas órfãs; o relatório de segmentação internacional e os avisos de hreflang no Search Console para ver o que o Google já detetou; e uma verificação em staging antes de qualquer migração, porque é aí que o hreflang mais parte. É o mesmo rigor de base que evita os erros de expansão internacional que já documentei.
Fontes
- Google Search Central - versões localizadas e hreflang
- Google Search Central - gerir sites multirregionais e multilingues
Perguntas frequentes
O hreflang é um fator de ranking?
Não. O hreflang serve para o Google servir a versão certa de uma página a cada idioma e região; não sobe rankings nem força indexação. Resolve ambiguidade entre versões, não competitividade. Ver SEO técnico →
O que significa o erro 'no return tag' no Search Console?
Significa que as tuas anotações não são recíprocas: uma página aponta para outra como versão de outro idioma, mas essa não aponta de volta. O Google ignora anotações não recíprocas e pode servir a URL errada por país. É corrigível - quase sempre um problema de geração e validação, não de estratégia. Erros de expansão internacional →
Devo segmentar por idioma ou por país?
Depende do teu negócio. Idioma não é país: um site en partilhado por EUA, Reino Unido e Austrália precisa de sinais de região além do idioma. Decide pela tua realidade, e usa x-default para quem fica de fora. Fala comigo →